Alagoas vira a página: Renan Calheiros perde após 32 anos e Maceió fica com Flávio

JHC (PSDB) derrotou Renan Filho (MDB) no 1º turno; Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) ficaram com as vagas no Senado; capital foi a única do Nordeste a dar maioria a Flávio

O primeiro turno de 2026 sacudiu a política de Alagoas, nossa vizinha do sul. O senador Renan Calheiros (MDB) ficou em terceiro lugar na disputa pelo Senado, com 731.045 votos (22,24% dos válidos). Vai deixar o Congresso em 2027, depois de 32 anos seguidos no Senado. As duas vagas ficaram com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), com 948.703 votos (28,87%), e com Marina JHC (PSDB), com 926.860 (28,20%), segundo o Poder360. Será o primeiro mandato eletivo de Marina.

Para o governo, o ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB) venceu no primeiro turno. Derrotou o ex-governador Renan Filho (MDB), filho do senador. Pelos números finais do TSE, JHC teve 892.484 votos (52,20%) e Renan Filho, 809.796 (47,37%). De acordo com a Agência Brasil, JHC tinha renunciado à prefeitura em abril para concorrer.

Na eleição para presidente, Alagoas deu vitória a Lula (PT), com 54,73% dos válidos, contra 40,45% de Flávio Bolsonaro (PL). Mesmo assim, foi o estado do Nordeste com a menor diferença entre os dois. Em Maceió, o placar virou. Flávio teve 52,37% e Lula, 41,08%, segundo o g1 Alagoas. Foi a única capital nordestina com Flávio na frente. E é a terceira votação para presidente seguida em que Maceió é a única capital da região a dar maioria a um Bolsonaro, depois dos dois turnos de 2022.

Por que Maceió vota assim? Para o cientista político Ranulfo Paranhos, professor da Universidade Federal de Alagoas, ouvido pelo g1, o resultado da capital pode estar ligado à falta de tradição eleitoral do PT na cidade e à força de grupos locais de centro e de direita. Ele faz uma ressalva: são hipóteses, não relação de causa e efeito comprovada. O g1 registra ainda que JHC, que já foi do PL, evitou ligar sua candidatura à disputa presidencial. Não fez campanha nem para Flávio nem para Lula.

Opinião

Nossa opinião

Por décadas, falar de política em Alagoas era falar dos Calheiros. A urna mudou isso num domingo, e mudou pelo caminho certo: o voto. Não tem motivo para festa contra ninguém, nem para mangar de quem perdeu. O que tem é motivo para dizer que alternância faz bem à democracia, em qualquer estado. É como roçado: terra que recebe sempre a mesma semente, do mesmo jeito, uma hora cansa. Maceió, por sua vez, segue como a capital mais à direita do Nordeste pela terceira vez seguida. Arretado é ver isso acontecer sem ninguém precisar inventar nada. Os números estão no TSE, visse.

Imagem de capa: Marinelson Almeida / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)