Da anulação ao recuo: em três dias, Flávio contesta a eleição, PL reconhece Lula e campanha diz que não vai abrir novas ações no TSE

Domingo: “impossível reconhecer”. Segunda: nota do PL reconhece o resultado e Flávio fala em cassação. Terça: campanha diz que não entra “com mais nada”. Ao menos 22 Aijes seguem no TSE.

Em menos de 72 horas, o discurso do campo de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o resultado da eleição mudou três vezes. No domingo (25), o senador disse ser “impossível” reconhecer a vitória de Lula (PT) e anunciou que pediria a anulação do pleito. Na segunda (26), o PL reconheceu o resultado, e Flávio passou a falar em pedir a cassação da chapa petista. Na terça (27), após a saída do senador do país, integrantes da campanha disseram ao Valor, sob reserva, que a equipe jurídica não deve protocolar novas ações.

Domingo: “vou pedir anulação”

Em pronunciamento em Brasília, publicado na íntegra pela Folha de S.Paulo, Flávio atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação até as 19h:

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto de como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vou pedir anulação dessas eleições.”

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou o resultado logo após a apuração e disse ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, segundo o g1.

A prorrogação tem um capítulo nordestino. Segundo a Radioagência Nacional, Zanin decidiu em caráter de urgência diante de relatos de dificuldades no transporte de eleitores, especialmente em cidades da Bahia e na capital paulista. O pedido de prorrogação foi feito pelas duas campanhas, incluindo a de Flávio.

Levantamento do TSE citado pela BBC News Brasil registrou 34.393 votos depois das 17h em todo o país, menos de 0,03% do total. Em Salvador, a BBC contou 1.762 votos para presidente após as 17h (0,107% da cidade). A vantagem de Lula foi superior a 4,4 milhões de votos.

Segunda: PL reconhece, Flávio fala em cassação

Na segunda (26), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, divulgou nota, reproduzida pelo g1:

“Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático.”

No mesmo dia, Flávio publicou vídeo em que deixou de falar em anulação. Prometeu organizar a oposição e fazer do Congresso uma “fortaleza”, segundo a Folha, e anunciou que pediria a cassação da chapa de Lula. “Vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu”, disse, de acordo com o Valor Econômico.

Terça: “não entraremos com mais nada”

Depois que Flávio deixou o Brasil, integrantes da campanha disseram ao Valor, sob reserva, que a equipe jurídica não deve abrir novas ações no TSE. “Neste atual cenário, não entraremos com mais nada”, afirmou um deles. A dúvida é o que fazer com os processos em curso: “Temos 20 ações de cassação movidas até o presente momento. Elas não aceitam desistência.”

Na carta divulgada já nos EUA, na quarta (28), publicada na íntegra pelo UOL, Flávio voltou a afirmar que os supostos abusos “justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin”. Até a última atualização, não havia registro público de nova ação protocolada após a derrota.

As ações que seguem no TSE

Já a CNN Brasil, em levantamento próprio, contou ao menos 22 Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) envolvendo as duas chapas. Lula aparece como investigado em 15 e Flávio, em pelo menos sete. Contra o petista, há ações sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói, sobre o canal de WhatsApp “Exército do Lula” e sobre mensagens enviadas por canais do governo federal ligadas a programas como Bolsa Família e Farmácia Popular. Contra Flávio, há casos sobre o filme “Dark Horse” e o canal “Tropa do Flávio”, entre outros.

O canal “Exército do Lula” também tem ligação com o Nordeste: segundo o Diário do Nordeste, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), presenteou Lula com o celular que o presidente usou para entrar no canal.

As ações continuam tramitando após a eleição. Segundo especialista ouvido pela CNN, a chapa vencedora pode, em caso de condenação, ter o diploma ou o mandato cassado; a derrotada fica sujeita a multa e inelegibilidade.

Foto de destaque: Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursa na tribuna do Senado em 1º/9/2026 (imagem de arquivo). Foto: Carlos Moura/Agência Senado (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons (ficha da imagem)

Fontes