Salvador no centro da eleição: ônibus nas garagens, ordem de prisão do TRE-BA e a reclamação que levou Zanin a estender a votação

Prefeito Bruno Reis atribui atraso a adesivos do PT colados por sindicalistas; campanha de Lula fala em boicote. Caso baiano embasou a decisão do STF que estendeu a votação até as 19h no Brasil inteiro.

A capital baiana virou o epicentro do segundo turno neste domingo (25). A falta de ônibus em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas gerou uma ordem de prisão contra o secretário de Mobilidade da capital e foi a base da reclamação ao Supremo Tribunal Federal (STF) na qual o ministro Cristiano Zanin prorrogou a votação até as 19h em todo o país.

O que aconteceu nas garagens

Enquanto eleitores de bairros populares esperavam nos pontos, fiscais percorriam as garagens. A contagem do órgão estadual de defesa do consumidor chegou a quase mil coletivos parados em nove pátios, ao menos 75 deles barrados na saída, de acordo com o g1 Bahia. A reação do Judiciário veio rápida: o comando do TRE baiano impôs a volta imediata de toda a frota, com multa milionária por hora de atraso, e expediu ordem de prisão contra o secretário Pablo Souza — que, segundo o UOL, nem estava no Brasil, mas em viagem oficial a Paris.

A explicação do prefeito

A gestão de Bruno Reis (União Brasil), aliado de Flávio Bolsonaro, conta outra história. Para o prefeito, o gargalo ficou restrito a um dos dois consórcios e teve origem em propaganda partidária: sindicalistas teriam colado o número do PT nos coletivos, e a prefeitura, alegando que a lei eleitoral proíbe isso, só autorizou a saída depois da remoção. “Isso é crime eleitoral”, resumiu Reis, em fala exibida pela TV Bahia e reproduzida pelo g1. Mais tarde, a secretaria recuou e mandou liberar todos os veículos, adesivados ou não.

Do outro lado, o presidente Lula (PT) chamou a falta de ônibus na Bahia e em São Paulo de “banditismo” e disse que, depois da eleição, o próximo passo seria “pedir a prisão desses prefeitos por crime eleitoral”, segundo o UOL.

Da Bahia para o Brasil

A coligação de Lula levou o caso baiano ao STF. Zanin escreveu que os fatos chegaram ao tribunal às 16h32 e determinou a prorrogação “em todas as seções de todo o Brasil”. A decisão se tornou pública minutos depois das 17h; mais tarde, o ministro restringiu a medida às urnas ainda abertas. O TSE orientou os TREs apenas às 17h49.

Para a direita, o fato de um episódio local, numa capital governada por um adversário do PT, ter servido de base para uma ordem válida no país inteiro está no centro das críticas ao ministro. Vale registrar, porém, que a própria campanha de Flávio também pediu ao TSE mais tempo de votação, só que limitado a 17 cidades do Sul e de São Paulo castigadas pela chuva.

Foto de destaque: Ônibus urbano em Salvador (imagem de arquivo). Foto: Heylenny (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons (ficha da imagem)

Fontes