Flávio Bolsonaro chega aos EUA com permissão para ficar até 2027, segundo registro consultado pelo g1, e diz que vai liderar a oposição de fora

Senador entrou nos EUA com passaporte diplomático já cancelado e, segundo registro do CBP consultado pelo g1, pode ficar até 27/10/2027. Em carta, trocou “presidente eleito” por “líder do Brasil”. Marinho (PL-RN) diz que não foi consultado.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno da eleição presidencial de domingo (25), desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), com a mulher e as filhas. Segundo o g1, consulta ao sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) mostra que ele foi admitido na categoria “DT”, que o CBP define como “autorizado a entrar temporariamente” (parole), com permissão para ficar no país até 27 de outubro de 2027. O g1 procurou o CBP, que não respondeu. Na véspera, o Departamento de Estado havia dito que permitiria a entrada da família e concederia vistos, sem especificar o tipo.

O trajeto até Miami

De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, citada pelo g1, a família entrou no país vizinho por terra às 22h50 (horário de Brasília) de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, perto de Foz do Iguaçu (PR). De Puerto Iguazú, embarcou num jato executivo que fez escala em Guayaquil, no Equador, sem cruzar o espaço aéreo brasileiro, e pousou no aeroporto de Opa-locka, na Flórida, às 10h24.

Ainda segundo o g1, o senador usou o passaporte diplomático brasileiro, já cancelado pela Polícia Federal, para entrar nos EUA, e o passaporte italiano, concedido em 2023, para deixar a Argentina, conforme o plano de voo.

A ordem do STF

Na noite de domingo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Flávio entregasse os passaportes à PF e o proibiu de deixar o país. Segundo a PF, citada pelo g1, o senador também foi intimado na manhã de segunda (26) a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades, o que não fez. O prazo terminou às 11h de terça e não foi cumprido; a PF então cancelou os passaportes comum e diplomático, segundo o g1 e o UOL.

A decisão foi tomada num inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e casas de apostas. Flávio e Tomaz confirmam a amizade, mas negam ser sócios e negam qualquer irregularidade. No pedido a Moraes, a PF apontou risco “concreto” de fuga, citando uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, o poder econômico do senador e “estruturas já estabelecidas no exterior”.

A carta: de “presidente eleito” a “líder do Brasil”

Na tarde desta quarta, Flávio divulgou uma carta. Na primeira versão, publicada na íntegra pelo UOL, apresentava-se como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, o texto foi trocado e passou a dizer “o líder do Brasil”.

No documento, ele agradece aos presidentes Javier Milei e Donald Trump, volta a falar em fraude e afirma:

“Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime.”

“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil.”

Flávio também se dirige aos parlamentares e governadores que ajudou a eleger, “em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho”, e promete: “liderarei a oposição daqui”.

A alegação de fraude não tem respaldo oficial. Após o resultado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, disse ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, segundo o g1. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.

A reação no RN

O coordenador da campanha, o senador potiguar Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, disse à CNN que o núcleo da campanha não foi avisado. “Estamos surpresos porque conversamos ontem sobre a necessidade para que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição”, afirmou. Mais tarde, ponderou, segundo O Globo: “Então até compreendo caso Flávio tenha saído do Brasil. Não digo que concordo porque não fui consultado.”

O mandato de Flávio no Senado termina em fevereiro de 2027. Será a primeira vez em 24 anos que ele fica sem mandato.

Foto de destaque: Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista em 1º/9/2026 (imagem de arquivo). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons (ficha da imagem)

Fontes